domingo, 20 de outubro de 2013

FINAL DE ANO - RODOVIÁRIA - ELEFANTE BRANCO

Bem, quem já leu as minhas aventuras até agora vai falar o seguinte, "como ela não ia colocar o marido em uma roubada igual a mãe dela?Lógico que sim!"

Depois do nosso primeiro ano de casados,ou melhor, nem tínhamos completado 1 ano ainda e eu já me aprumei em levar meu marido até Minas Gerais pra conhecer o resto da família.
Tudo arrumado, telefonemas dados, malas arrumadas, passagens prontas.....passagens??? Não né, é lógico que alguma coisa ia ficar meio pendurada. Eu explico: como era final de ano eu telefonei para meus parentes em São Paulo para comprarem 2 passagens de SP para BH na véspera de Natal. O ônibus que saía de Santa Maria r/s ia direto até SP e depois teríamos que trocar de ônibus para continuar a viagem. Trocar de ônibus????Não né, isso seria muito fácil pra mim, teríamos que trocar de rodoviária,é, isso mesmo. Naquela época (1989) existia em SP uma rodoviária especial apenas para ônibus que se deslocassem para MG. "EU SOU PREMIADA"
OK, vamos enfrentar a maratona com bom humor, afinal, estamos de ferias,mas 22 hrs de viagem até SP e mais 6 hrs para BH não era nada divertido.
Agora vem a parte Dna Carmem de ser, que eu não poderia deixar de ter encravada no meu DNA. Sempre gostei de artesanato e neste ano aprendi a fazer topiaria*

*TOPIARIA, é a arte onde você cola em uma bola de isopor alguns materiais como balas, bombons, flores ou outro material qualquer, que dê a impressão de ser uma árvore miniatura.Você coloca um galho de árvore em um vaso e acondiciona a bola neste galho.Fica lindo!!
MAIS OU MENOS COMO ESTA DA FOTO

A doida aqui, teimou em fazer uma mini árvore com mini flores para dar de presente para uma tia.Fiz a árvore que deveria ter uns 30 cm de altura, coloquei ela dentro de uma sacola de papel e levei ela junto comigo, nos meus pés dentro do ônibus.
Até aí tuuuuudo bem, mais adiante vocês vão entender o que foi o meu sofrimento com esta maldita árvore.

22 hrs depois, eis que chegamos na entrada de SP onde um rapaz levantou e pediu para descer em um lugar que era perto de onde ele ia ficar.O rapaz desceu e poucos quilômetros depois o motorista parou para fazer a revisão dos travesseiros e cobertas do ônibus e constatou que faltava 1 travesseiro.O maldito menino desceu com o travesseiro e o motorista não queria deixar ninguém descer na rodoviária sem devolverem o travesseiro.Foi um bate boca dentro do carro e eu já estava querendo dar uns tabefes na cara do motorista quando resolvemos fazer uma vaquinha e pagar o tal travesseiro.

Ufaa, um perrengue vencido e chegamos na rodoviária do Tietê.
Quem já passou por ela, sabe bem como é..............parece uma serra pelada....um verdadeiro formigueiro humano.
Mas é tanta gente, que tu não pode piscar, senão corre vários riscos, ou de ser assaltado, de ser empurrado, de se perder das pessoas que estão contigo, de se perder dentro do prédio, de cair em algum buraco que está em reforma(ela vive em reforma), mais ou menos por ai, NÃO PISQUE QUANDO ESTIVER LÁ DENTRO você pode até mesmo ser atropelado por uma geladeira. Os nordestinos carregam tudo dentro dos ônibus, de fogão a televisão, levam tudo para os parentes que ficaram no nordeste.
Procurei um telefone e liguei pra minha tia que havia ficado de comprar as passagens para nós e ela morava ali por perto, era só nos encontrar lá e pegar as passagens.
Coisa fácil não é? Simmmm, com a filha da Dna Carmem nada pode ser assim fácil.Minha tia não estava, nem ela , nem meus primos, ninguém estava mais em SP , todos já estavam em MG....quase enfartei de raiva, pois naquela altura não íamos mais conseguir passagem.Mas....vamos arriscar!

Procurei logo correr para a estação do metro que tem dentro do terminal, detalhe, era eu com uma mala e várias sacolas e uma bolsa e o meu marido com outra mala e outras sacolas. Corremos e entramos no metrô que nem estava tãoooo cheio(agradeci aos céus por isto).
O metro nos levaria até o centro de SP mais precisamente na praça da Sé e de lá pegaríamos outro metrô para nos deixar na estação da outra rodoviária.
OKkkk vamos enfrentar mais esta, descemos do metrô e pegamos as escadas rolante para baixo e fomos até a plataforma, tipo umas 7 e meia da manhã.A plataforma estava LOTADA de gente, mas o detalhe, TODAS as pessoas do lado de lá dos trilhos e do nosso lado, SÓ EU, O MARIDO E NOSSAS TRALHAS.
Eu parei, olhei praquela multidão de gente do outro lado a nos olhar com cara de "o que esses dois fazem do outro lado?"
Eu olhei pro meu marido e falei: "Acho que estamos do lado errado!"
E ele no seu bom humor costumeiro: "É? Não diga, eu achei que eles é que estavam!"
Me apressei e falei:"Vamos pular pro lado de lá que o metrô vai passar logo logo!"
Mas foi eu terminar de falar e todos do outro lado olharam pro lado que vinha o metrô e escutei os trilhos tremerem....na verdade quem tremeu fui eu quando vi o trem chegando.
Aiiiii meu Deussss, será que ele abre a porta do lado de cá? Perguntei pro meu marido e ele disse: "Se ele não abrir a gente pula pro lado de lá e pega o próximo."
Juro que eu quis dar na cara do maquinista que nos olhava rindo, mas ele abriu a porta pra nós.O problema todo não foi ele abrir a porta, foi nós conseguirmos entrar com as malas, sacolas e lutar com toda aquela multidão que entrava pelo lado de lá da plataforma.
Entramos no metrô, mas foi como entrar em uma lata de sardinha, mal respirava.Algumas estações adiante saltamos(graças a Deus).
Chegamos na estação e fomos direto na bilheteria comprar passagem, e eis que minhas suspeitas se confirmaram,
NÃO HAVIAM MAIS PASSAGENS PARA AQUELE DIA.

Bem, nessa altura, cheia de pacotes e malas,eu queria jogar aquela maldita árvore no lixo , sentar e chorar.
O rapaz escutou a nossa voz e perguntou pro meu marido:"Vocês são gaúchos?"
Aiiiii salvação, o cara viu que a gente era de longe e conseguiu 2 passagens para BH, só que as 23 hrs e eram 8 da manhã.
Tomamos o maior chá de banco da história neste dia.
Logo no inicio tudo era engraçado, a plataforma de embarque enchia de gente, o ônibus parava e todos embarcavam....só ficava nós dois sentados. Mais uns minutos e a plataforma enchia de novo e outro ônibus parava e as pessoas embarcavam e nós ficávamos ali sentados com cara de taxo!
Resolvi até tirar uma foto deste episódio , porque eu achei muito engraçado, mas meu marido queria me matar pela brilhante ideia de ir na véspera do natal viajar pra longe.
Depois de 22hrs de viagem de Santa Maria a SP, mais 13 hrs de espera e mais 6 hrs de viagem até Belo Horizonte, eis que finalmente consegui dar de presente a árvore (ELEFANTE BRANCO) que fiz pra minha tia.

GALERIA DE FOTOS

Olha a cara de felicidade do 
meu marido esperando 
o próximo ônibus(que não seria o nosso)

algumas mulheres da família
-em candeias-
Nós

conhecendo Sabará
com minha prima 

um pequeno pé de couve na casa
da minha tia,
detalhe que eu estou em cima de um murinho.

sábado, 19 de outubro de 2013

47 ANOS DE LUTA!!!

Pra começar o post, esta aí a música que rege esta história.
Ela fala tudo que eu penso sobre o que já passei na vida.
Clique para ir escutando ela enquanto você lê meu relato!!!


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Quero relatar neste post um resumo dos
47 anos de minha vida,
algumas experiências e lições que aprendi.

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Hoje vejo que os 19 anos vividos na casa dos meus pais foram os anos de aprendizagem mais importantes da minha vida.Foram os anos que eu aprendi a me preparar para a vida que viria.

Com 19 anos sai da casa dos meus pais e fui morar sozinha e em outra cidade(capital).Todo jovem sonha com isto, ter sua independência, em criar asas e eu falo por experiência própria, "não é nada fácil!"
Não é fácil você ter sede e não ter ninguém pra pegar um copo d'água pra você, chegar em casa cansada com fome e não ter a comidinha pronta na geladeira, estar doente e não ter ninguém pra ir comprar o remédio na farmácia nem ter alguém pra cuidar de ti.
Morava em um quarto e sala, sem área de serviço, lavava minhas roupas na pia do banheiro,mas eu estava onde queria, cursando Direito e morando na capital.Aproveitava cada minuto da vida nova.
Foram 2 anos de uma vida bem movimentada,mas tudo mudou novamente e eu voltei pra cidade dos meus pais e casei.
Ninguém acreditou nesta mudança de vida e confesso que nem eu. 

O 1º ano de casada foi o pior ano,pois conviver com alguém totalmente diferente de ti, que tu mal conhecia foi bem difícil.
Preparada para a vida eu já estava,afinal, tinha acabado de fazer um estágio de 2 anos fora, vivendo sozinha, agora, preparada para viver com outra pessoa, com hábitos diferentes dos seus, isto eu não estava preparada.
Eu chorava dia e noite,brigávamos por tudo e por nada e não me sentia feliz.
Arrumei um emprego e mudamos do apartamento do BNH para uma casa que eu "achava"ser melhor que o ape, afinal, íamos ser vizinhos de um dos melhores amigos do meu marido.

O segundo ano de casamento foi bem melhor, nossa vida social ficou bem mais movimentada, me entrosei mais com os amigos do marido, adotamos nosso primeiro cão, a Kika, eu trabalhava,me inscrevi no vestibular, a casa estava infestada de camundongos e chovia mais dentro do que fora.(risos)
Entrei para a faculdade, parei de trabalhar e a vida era só alegrias com a espera de nossa primeira filha.

Quando fizemos 3 anos de casados, nossa filha tinha 3 dias de vida,foi nosso grande presente!!!
Com as dificuldades de saúde de nossa filha, que nasceu com asma, larguei tudo e fui de mala e cuia pra cidade e pra casa da sogra.Desta maneira economizamos por 8 meses para pagar os remédios e alimentação da nossa filha.
Quando a Ariadni fez 1 ano retornei pra cidade dos meus pais e aluguei uma casa, reuni a família novamente, pois nos 8 meses que passei na sogra, via o marido só aos finais de semana.(foi bem difícil)

Casa nova, vida nova e depois de 2 anos de dedicação exclusiva para minha filha eu voltei para a faculdade.
Meus planos era fazer meu curso em 4 anos e depois encomendar outro filho.
Me formei dia 23 de agosto de 1996, quando minha segunda filha tinha 1 ano e 1 mês de vida.
Simmmmmm,meus planos foram totalmente equivocados(risos) e passei o último ano da faculdade entre fraldas e mamadeiras.
Nesta época peguei minhas 2 filhas,meus 2 cachorros e o marido e me acampei de mala e cuia na casa da minha mãe.Só assim, com a ajuda dela consegui não enlouquecer.
Depois de 6 meses na casa dos meus pais, minha filha fez 1 ano, me mudei para outro apartamento e me formei ... tudo em 2 meses, depois sentei e respirei.

Quando me formei o que eu fiz??? NADA
Fui exercer a melhor profissão do mundo: Ser MÃE.
Curti cada momento da vida das minhas filhas, uma com 5 anos e a outra com 1 , eu me dediquei à bonecas, panelinhas e ursinhos de pelúcia.

Nesta época já não tínhamos mais a Kika(virou estrelinha) e adotamos o Pidão(antes mesmo de sair da antiga casa).Não, ele não tinha este nome porque pedia demais, e sim porque a Ariadni falava: "Mãe, eu quero arroiz com pidão!" O cão era preto com peito branco,parecia um grão de feijao, então....Pidão!

Nossa vida melhorava a cada mudança de moradia, mas na verdade eu nunca mais trabalhei fora, sempre me virei sozinha como vendedora autônoma.
Quase acabei com meu casamento por várias vezes por me dedicar mais aos outros do que pro meu marido, primeiro para as filhas e depois pros meus pais, esquecendo de mim mesma.
Vivemos 13 anos neste ótimo apartamento,nós 4 e 2 cães, foi quando minha mãe faleceu e mudamos novamente para outra casa e adotei mais 1 cão, fui assaltada por 3 vezes na casa nova até conseguir encontrar nossa casa própria.

Hoje, depois de 25 anos (quase 26) de união, com 2 filhas Ariadni com 22 e a Ana Carolina com 18 , estamos muito bem obrigada.
Passamos por tudo isto juntos e foi exatamente nas dificuldades que nos unimos mais.
Pra quem começou a vida num quarto e sala, morou em um BNH, numa casa infestada de camundongos que chovia mais dentro do que fora, hoje temos uma linda casa, nosso próprio negócio, uma família divertida, uma grande união e uma vida feliz com nossos 5 cães. 

GALERIA DE FOTOS

na faculdade de Direito 

casamento

meu marido com nossa 1ª filha
em frente a casa dos camundongos.

minha primeira filha com a Kika

minha formatura,
detalhe, eu não consegui pegar a outra filha
para a foto.

minha filha mais velha ensinando
a mais nova a cantar parabéns
para o 1º aninho.
Isto quando morei na casa da minha mãe.

minhas filhas
Ariadni e Ana Carolina

nossa casa

 
nossa família
réveillon  2012/2013